Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Amazonas registrou 260 focos de queimadas na sexta-feira, 19/7, segundo dados do Programa de BDQueimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em um período de seca na região, a média de focos de calor desde o início do mês tem sido de 21 por dia. Em contraste, no mesmo dia do ano anterior, foi registrado apenas um foco de calor.
Ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o professor e pesquisador do curso de Meteorologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Rodrigo Souza, alertou para o aumento no número de queimadas.
“Já estamos vendo que o número de queimadas até a primeira quinzena de julho deste ano já supera o mesmo período do ano passado. Somente em julho, o aumento já é de quase 200%. Neste sentido, as políticas públicas precisarão ser ainda mais efetivas em 2024“, destacou.
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Souza é responsável pelo desenvolvimento da plataforma Selva, uma ferramenta online que monitora, em tempo real, queimadas e a qualidade do ar. Ele destaca a importância de medidas preventivas, especialmente para combater as queimadas que podem comprometer a qualidade do ar durante o período de seca deste ano.
Os sistemas de monitoramento indicam que os impactos da seca começam a ser sentidos a partir deste mês de julho. Além disso, as previsões sugerem uma estiagem mais severa do que a do ano anterior, o que gera um alerta para o estado do Amazonas, que deverá enfrentar desafios ainda maiores.
“Consequentemente, poderemos esperar uma piora na qualidade do ar nos meses de agosto e setembro na região”, revelou Souza.
A expectativa é de que os efeitos possam ser tão ou mais intensos do que os de 2023, com a maior preocupação sendo a possibilidade de o ar atingir níveis prejudiciais à saúde, semelhantes aos observados no ano passado.
Qualidade do ar
Rodrigo Souza explica como as queimadas podem afetar a qualidade do ar durante os meses de seca.
“As queimadas lançam na atmosfera uma grande quantidade de gases tóxicos e material particulado. Com a redução das chuvas no período seco da região (julho-agosto-setembro), os ventos ficam enfraquecidos e a fumaça das queimadas persiste por mais tempo sobre a região, comprometendo a qualidade do ar por vários dias”, ressaltou o pesquisador.
As medidas preventivas de enfrentamento são importantes, principalmente no caso das queimadas que podem afetar a qualidade do ar durante este período. Nesse caso, em relação aos receios quanto à possibilidade de o ar alcançar níveis prejudiciais à saúde, similares aos observados no ano passado, o pesquisador respondeu de forma direta que apesar das preocupações, há ações em execução.
“Existe essa preocupação sim. Mas, ao mesmo tempo, existem ações em curso do Governo do Estado para minimizar esse problema”, disse Rodrigo.
Ano passado
O período de secas, o calor e as queimadas são atribuídas a uma série de fatores relacionados às mudanças climáticas e às atividades humanas. Esses elementos têm contribuído anualmente para a piora da qualidade do ar, tornando a situação cada vez mais grave.
Entre 9 de janeiro de 2023 e 10 de janeiro de 2024, Manaus enfrentou aproximadamente três meses, ou um total de 82 dias, com a qualidade do ar inadequada devido à fumaça das queimadas.
O período mais crítico ocorreu entre setembro e novembro de 2023, quando a capital amazonense registrou níveis extremamente altos de toxicidade no ar. Em 21 de setembro, Manaus alcançou o primeiro lugar no ranking mundial de pior qualidade do ar.